19/08/2010
intertextuais
O homem vinha todos os dias. Forçava a entrada, escolhia uma cadeira, sentava-se e sorria. Permanecia o tempo que a incapacidade ou a virtude do relógio, aceitara sem constrangimentos. Enquanto os copos se estilhaçavam nas paredes, o homem permanecia. E mesmo enquanto a obra de alvenaria se projetava para além da prancheta, e as portas ganharam cadeados e trancas, ele continuava vindo e se sentando na mesma cadeira cuja parede já sabia seu espaldar desde a antiguidade. O mesmo sorriso basbaque do primeiro dia. Os armários estão vazios, cacos atravessam a fina pele da planta dos pés, e as cordas vocais, que ainda permanecem vibrando, parecem agora no limite. Mas ainda assim permanecem, os dois, encurralados entre a espera e a dúvida.
02/09/2010 às 05:01
Oi! Queridona,
lindo. Enigmático. Forte. Você é foda. Beijos
02/09/2010 às 20:07
oi, amore, dani querido, meu leitor predileto…esse conto é enigmático até mesmo para mim…